Psicologia e religião

Posted by Flávia Rezende on segunda-feira, novembro 24, 2008, 1:43
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 O papel da religião na vida psíquica dos indivíduos.

A palavra religião vem do latim religio, derivado de religare, “atar”, “ligar”, podendo ser interpretada como o laço que une o homem à divindade.
Na maioria das sociedades, o papel da religião é explicar os conteúdos existenciais do ser humano, tentando obter respostas às perguntas que não possuem fundamento, como: de onde viemos, o que estamos fazendo aqui e para aonde vamos depois da morte.
Psicanaliticamente falando, a religião é uma neurose obsessiva da humanidade, tal como a neurose obsessiva da criança, que surge a partir do complexo de Édipo (conceito fundamental da psicanálise), caracterizado por sentimentos ambivalentes de amor e hostilidade existentes no relacionamento entre pai e filho.
Freud afirma que, a necessidade que civilizações possuem em controlar os instintos e impulsos dos seus indivíduos estabelecendo uma ordem moral, foi utilizada para difundir as religiões, pois aparentemente as leis divinas eram e continuam sendo muito mais sólidas e poderosas do que as leis humanas. Deste modo, passa-se a obedecer aos preceitos da sociedade devido o temor do castigo pela ordem divina.
Sempre existiram muitos autores e pensadores que demonstraram suas visões sobre religiões, mas o estudo científico das religiões iniciou-se no século XIX.

Analisando pelo lado do estudo científico, os argumentos apresentados por Freud possuem um teor crítico com relação à origem, desenvolvimento e manutenção das idéias religiosas, mas sempre apresentados de maneira objetiva e direta, enquanto Jung estuda a religião de maneira enigmática com certo toque de romantismo, admitindo a existência de um Deus interno, não materializado, que não significava a existência de um criador autônomo como a grande maioria das religiões alegam.

No aspecto filosófico, Osho, filósofo indiano que sempre se dedicou a questionar os dogmas políticos, sociais e religiosos da sociedade, adepto da meditação zen, afirmava que existe uma religiosidade sem necessariamente precisar existir a religião e o conceito de Deus, podendo haver espiritualidade apenas por uma filosofia moral, um estado de consciência livre, que não é condicionada pela mente, ou seja, não se acredita no que as crenças forçam a acreditar, mas sim o que sua consciência deseja crer.

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Observando a pintura de Michelangelo na abóbada da capela Sistina, a figura denominada como ‘A criação de Adão’ impressiona pelo fato de demonstrar a onipotência divina manifestada na sua infinita grandeza que concebeu a criação do primeiro homem, dando sentido à construção do universo. A pintura, que pode ser nomeada como símbolo da ligação do Homem com o Divino, expressa o momento em que Deus, após ter criado a luz, a terra e tudo que nela existe, concedeu a vida a um ser dotado de inteligência e autoridade sobre todas as coisas existentes no mundo feito à sua imagem e semelhança.

O tema proporciona milhares de interpretações por ser um campo vasto de conhecimento, mas aqui completo o raciocínio da tríade das instituições sociais: a ciência, a filosofia e a arte, que são representações do universo e constituídas por neuroses.
Conforme apontado por Freud, um caso de histeria pode ser o retrato de uma obra de arte, ou uma neurose obsessiva pode ser a representação de uma religião e até um delírio paranóico poderia ser a caricatura de um sistema filosófico. Mas, neste caso, apenas um caso de neurose – a religião – representado nas três formas de instituições sociais.
No último ano de faculdade, dediquei-me a este estudo que gerou a compreensão da existência e desenvolvimento das idéias religiosas e sua conexão com a vida psíquica dos indivíduos, estudados a partir dos dois principais textos sociais de Freud: Totem e Tabu e O Futuro de Uma Ilusão.
Com base no que foi estudado, pude concluir que a psicanálise não pode atribuir a uma única fonte a origem de algo tão complicado como a religião.
Ficou claro que a humanidade sempre se sentiu desprotegida frente às forças sobrenaturais, tornando este desamparo tolerável a partir de criações de deuses, e posteriormente um Deus com poderes sobre-humanos capaz de minimizar todo este sofrimento.
Mas, os fenômenos religiosos possuem uma propriedade psicanalítica que manifesta o desenvolvimento de neuroses em seus adeptos, chegando a transformá-la na própria neurose.
Uma das problemáticas estudadas foi o fato das religiões, após tanta evolução cultural, tecnológica e científica, ainda exercerem um papel onipotente e essencial na vida psíquica dos indivíduos.
Os crentes, na definição literal da palavra – aqueles que crêem, parecem se unir a uma religião por vínculos afetivos, de maneira que nunca iriam permitir que sua fé fosse desviada ou banida. Ainda, existem pessoas que não são crentes, mas obedecem aos preceitos da civilização por se sentirem intimidados pelas ameaças da religião e se vêem obrigados a segui-los por fazer parte de sua realidade.

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6 Comentários para “Psicologia e religião”

  1. Cristian
    2009.03.08 13:33

    Ola! Gostei muito do assunto que foi tratado neste artigo… Sou estudante de psicologia e acredito que a religião já causou muitos males em nossa sociedade… Espero que estas igrejas denominadas igrejas de Deus se esvaziem e deixem as pessoas viverem suas vidas com mais autonomia…
    ABS!

  2. 2009.03.08 17:43

    Olá Cristian, que bom que tenha gostado do artigo.
    Como afirmo, o tema proporciona milhares de interpretações por ser um campo vasto de conhecimento. Mas a intenção no artigo não foi criticar negativamente, mas levantar pontos de discussões para entendermos porquê a sociedade precisa das intituições religiosas. Analisando os estudos de Freud é possível perceber que a religião pode sim ser considerada uma neurose obsessiva, mas uma neurose necessária, pois ela estabelece a ordem moral das sociedades. Também acho que poderia existir mais autonomia dentro das religiões, mas este é o papel da nossa profissão: estudar, analisar e questionar as formas de condutas humanas, não com a intenção de mudá-las, mas com a intenção de entendê-las.
    Continue participando ativamente das discussões, pois só enriquece nossa área de atuação.
    Obrigada pela sua visita e comentário!

  3. YASMINE
    2009.06.01 03:51

    Não concordo, todos nos já nascemos com a necessidade de adorar um Deus,
    mais cada pessoa é criada de um jeito, e é ai que ela determina o que é e o que não é,
    sobre Deus a arqueologia já provou que muitas coisas escritas na biblia realmente aconteceu,
    e imagine um livre que foi escrito a milhares de anos preveu o aquecimento globou e tantas outras coisas que naquela epoca era impusivel acreditar que aconteceriam.
    Que os inspirou a escrever tal profecia se não alguén com poder para insporar?
    E se Ele é tão poderoso assim e nos fez, nada mais nos resta a não ser obedecer o que eles nos pede, e claro tanbém é presciso ter o temor,
    a sociedade e a religião nos levam ao padrão organizado e os que nos levam a descordar, são as tentações que concerteza não são divinas, e é essa voltante de ir contra o que se deve ser que nos levam a se questionar, mais por dentro você sabe que existe um Deus e por negalo sente um vazio, se não o senti a esplicação é outra.
    Não se deixe enganar.

    Yasmine, obrigada pelo comentário! É muito importante saber que temos leitores que discordam, pois as divergências de opiniões enriquecem o debate.

    Atenciosamente,
    Psicóloga | Online!

  4. 2010.07.10 09:33

    A impressao q eu tenho eh q Freud eh uma especie de deus dos psicologos, psiquiatras e afins. Serve pra explicar tudo. Francamente, parem de citar Freud e expressem suas proprias opinioes. Sera q a capacidade de voces esta tao longe assim da de Freud?

  5. 2010.07.29 00:50

    Nao creio que a religiao seja malefica para a humanidade excepto para as doutrinhas empiricas, conservadoras e comunistas, por ex;
    O homem precisa de encontrar-se , e encontrar dentro de si as maravilhas com as quais nasceu.
    O amor , a paz ,o conhecimento, a felicidade, a inteligencia e ate a eternidade do homem devems er encontradas numa procura sicnera dentro de si mesmo, e a religiao serve de grande ajuda.
    A meditaçao de Yoga é excelente e pode estar alem das religioes, mas cada pessoas esta no seu proprio caminho interior……

  6. Rosangela
    2010.07.31 16:32

    A psicologia dá enfase no individuo… nas conversas egoistas, começa com vc e termina com vc quando que o cristianismo o centro de tudo é Deus.
    Não foi o mundo que inventou Deus Ele que nos inventou.

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