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	<title>Psicóloga &#124; Online! &#187; Artigos científicos</title>
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		<title>O jovem e suas relações no mercado de trabalho</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Jul 2009 20:08:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flávia Rezende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos científicos]]></category>
		<category><![CDATA[criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[espontaneidade]]></category>
		<category><![CDATA[jovem]]></category>
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		<description><![CDATA[Clique para ampliar! Empresas de um lado, jovens anciosos do outro. Conservas culturais, espontaneidade e criatividade, como podemos fazer isso dar certo no mundo do trabalho? Este artigo tem como objetivo traçar um paralelo entre os conceitos da teoria moreniana que geraram a revolução criadora de Jacob Levy Moreno, a espontaneidade e criatividade para o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3 class="mceTemp">
<dl id="attachment_504" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://www.psicologaonline.com.br/wp-content/uploads/2009/07/empresa.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-504 " title="empresaXjovem" src="http://www.psicologaonline.com.br/wp-content/uploads/2009/07/empresa-150x150.jpg" alt="Clique para ampliar!" width="150" height="150" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Clique para ampliar!</dd>
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</h3>
<h3>Empresas de um lado, jovens anciosos do outro. Conservas culturais, espontaneidade e criatividade, como podemos fazer isso dar certo no mundo do trabalho?</h3>
<p>Este artigo tem como objetivo traçar um paralelo entre os conceitos da teoria moreniana que geraram a revolução criadora de Jacob Levy Moreno, a espontaneidade e criatividade para o rompimento das conservas culturais, relacionando-os com a necessidade de adequação do jovem recém ingressado no mercado de trabalho e a dificuldade de equilibrar sua espontaneidade pulsante com as conservas culturais presentes nas empresas.<br />
Para Moreno o Homem nasce espontâneo, com recursos inatos também de criatividade e sensibilidade, sendo a espontaneidade impulsionadora para o ato criativo. Dentro do processo de existência, a teoria Moreniana afirma que a espontaneidade e criatividade estão vinculadas entre si, pois podem existir pessoas que sejam espontâneas, mas sem necessariamente terem um ato criativo, mas não há a possibilidade de existir criatividade sem antes ter existido a espontaneidade.<br />
Apesar dos seres humanos, segundo a visão de J. L. Moreno, serem naturalmente espontâneos a partir do nascimento, nós deixamos de sê-lo devido a fatores adversos do meio ambiente, que geram comportamentos estereotipados e padrões de vida que acabam castrando a criatividade inata.<br />
Mas, se o Homem para ser co-criador do Universo deve liberar seu fator E (espontaneidade) contribuindo com o todo a sua volta e consigo mesmo, como romper padrões pré-estabelecidos e evitar as conservas culturais recuperando a espontaneidade e criatividade?<br />
Ainda mais significativo, é analisar a mesma questão colocando-se na situação de um jovem recém ingressado no mercado de trabalho.<br />
As empresas são dotadas de uma cultura organizacional enraizada desde a sua origem, sendo a cultura organizacional um conjunto de valores e crenças que permeiam as relações interpessoais dentro de uma organização. Para Chiavenato (1996), “a cultura organizacional consiste em padrões explícitos e implícitos de comportamentos adquiridos e transmitidos ao longo do tempo que constituem uma característica própria de cada empresa”.<br />
Apesar de, segundo Flávio Fortes D’Andrea (1987), cada cultura ser “resultado da criatividade dos homens que a construíram e constitui-se de um armazenamento de conservas, permanecendo como elementos cristalizados a resistir às tentativas de novas tendências criadoras”, a todo o momento existem novas tendências criadoras a fim de “descristalizar” as conservas culturais, existindo grande criatividade dentro dos limites estabelecidos. Um exemplo seriam os jovens que com suas gírias e neologismos, acabam fazendo uma revolução criadora contra a linguagem tradicional, pois a “luta contra as conservas culturais é, no dizer do próprio Moreno, uma das características básicas de nossa civilização, expressando-se nas mais diferentes tentativas de escapar de seu império. Este esforço de libertação representa simbolicamente o desejo de reencontrar o paraíso perdido, o mundo original do Homem, que gradativamente foi substituído por este mundo que temos de suportar” (D’ANDREA, 1987).<br />
O jovem é dotado de espontaneidade e em plena formação de sua criatividade. Sua maneira de agir, de se vestir, de falar e se relacionar, tudo gira em torno da espontaneidade e criatividade com a finalidade de quebrar conservas culturais, com toda a sua experimentação de vida, sem se privar das vontades.<br />
Mas, quando começa a viver experiências profissionais e adquirir independência, o adolescente passa por mudanças tanto físicas quanto emocionais, com questionamentos sobre si mesmo, a sociedade e seu futuro. De acordo com Lucchiari (1993), citando Içami Tiba, com a chegada da puberdade, o Núcleo do Eu (que é a fase de reconhecimento) sofre transformações corporais e do pensamento abstrato. “Então, com um novo corpo e uma nova forma de pensar, o jovem passa a ver o ambiente de maneira diversa. É quando constatamos os questionamentos dos valores (aceitos pela família e a sociedade), das instituições (família e escola), das ideologias, etc.” (LUCCHIARI, 1993).<br />
Talvez devido a esta nova forma de pensar, o adolescente comece a questionar os padrões sociais e a bloqueá-los formando uma nova forma de se comunicar com o mundo, verbal e corporalmente.<br />
Eu vejo o adolescente como uma criança em desenvolvimento que acaba tendo a espontaneidade criadora em nível muito mais alto que o adulto. Conforme D’Andrea (1987) afirma, hoje, o homem precisa ser estimulado a desenvolver e reencontrar a espontaneidade criadora, pois os mecanismos que governam nossa civilização disciplinam e massificam as pessoas em torno de estereótipos culturais e por este motivo a espontaneidade criadora aparece nos adultos apenas ocasionalmente, ou quando o indivíduo é obrigado a reagir de uma maneira nova frente a uma situação antiga.<br />
Na Revista Brasileira de Psicodrama de 1999, Devanir Merengué fala sobre espontaneidade criadora: “A idéia moreniana de espontaneidade criadora é simples e complexa ao mesmo tempo. Diz respeito àquelas respostas originais, disruptivas, iniciadoras de novas formas de atitudes humanas frente à determinada ordem. Não vale qualquer resposta: deve ser dada livremente e estar articulada a uma demanda específica. Trata-se, portanto, de uma questão de vital importância se falarmos de mudança” (MERENGUÉ, 1999, pág. 65). E, em que fase de desenvolvimento do ser humano existe tanta mudança em um curto espaço de tempo, se não na adolescência.<br />
Merengué afirma também que conserva cultural diz respeito ao produto de criação, que pode ser um estímulo positivo, gerando transformação positiva, ou um convite à acomodação, afirmando que o homem precisa de conservas culturais mais não deve apegar-se a elas.<br />
De acordo com Moreno, o fator E é associado à adequação, à adaptação do Homem a si mesmo, sendo a espontaneidade, a capacidade de agir adequadamente em novas situações, transformando aspectos que sejam insatisfatórios.</p>
<div id="attachment_515" class="wp-caption alignright" style="width: 160px"><a rel="attachment wp-att-515" href="http://www.psicologaonline.com.br/artigos-cientificos/o-jovem-e-suas-relacoes-no-mercado-de-trabalho/attachment/conserva_cultural/"><img class="size-thumbnail wp-image-515" title="Conserva Cultural" src="http://www.psicologaonline.com.br/wp-content/uploads/2009/07/Conserva_Cultural-150x150.jpg" alt="Clique para ampliar!" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Clique para ampliar!</p></div>
<p>Será possível neste caso, o jovem ingressar no mercado de trabalho e não perder o seu senso crítico e seu potencial criativo? Se o jovem é capaz de revolucionar a linguagem, as vestimentas e consequentemente alguns padrões sociais no decorrer dos anos, com certeza será capaz de transformar rotinas administrativas e padrões organizacionais rígidos se sua contribuição for produtiva dentro da organização.<br />
Então o jovem, pode fazer uso das conservas culturais existentes nas culturas organizacionais para transformar-se em um ser criativo, gerador de novas situações que possam contribuir com a empresa, sendo assim, contribuinte das novas culturas organizacionais, pois o Homem criativo e espontâneo de Moreno é um ser mutante.<br />
E essa mutação pode ocorrer no processo de escolha profissional e na própria vivência de trabalho, o que em meu setting profissional torna-se totalmente visível, durante os cursos de capacitação profissional que realizo com jovens inseridos no mercado de trabalho.<br />
Não que a conserva cultural seja um elemento negativo, visto que ela pode ser extremamente útil para o desenvolvimento de novos comportamentos positivos que auxiliem na co-criação do Universo, mesmo que este universo não seja significativamente infinito. Como Merengué expõe, não há a necessidade de vermos a conserva cultural como um elefante branco, conforme Moreno retratava em seu tempo, porque hoje, a conserva cultural é puro movimento.</p>
<p><strong>Referência Bibliográfica:</strong><br />
CHIAVENATO, Idalberto. Os novos paradigmas: como as mudanças estão mexendo com as empresas. São Paulo: Atlas, 1996.<br />
D’ANDREA, Flávio Fortes. Psicodrama: teorias e técnicas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1987.<br />
GONÇALVES, Camila Salles. Lições de psicodrama: introdução ao pensamento de J. L. Moreno. São Paulo: Ágora, 1988.<br />
LUCCHIARI, Dulce Helena Penna S. Pensando e Vivendo a Orientação Profissional. São Paulo: Summus, 1993.<br />
MERENGUÉ, Devanir. Sexualidade e Espontaneidade Criadora. Revista Brasileira de Psicodrama, 1999, vol. 7, nº 2, p. 65. ISSN 0104-5393.</p>
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		<title>Câncer Infantil e Terapias Auxiliares</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Dec 2008 18:28:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flávia Rezende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos científicos]]></category>
		<category><![CDATA[Infantil]]></category>

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		<description><![CDATA[O câncer continua sendo um assunto muito delicado, e por vezes encarado até como um tabu, principalmente quando se trata do câncer infantil. A complexidade deste assunto me levou, no ano de 2004, a pesquisar sobre o tema focando a pesquisa na utilização da “terapia do riso” e paralelamente a ação de ong&#8217;s e grupos que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O câncer continua sendo um assunto muito delicado, e por vezes encarado até como um tabu, principalmente quando se trata do câncer infantil. A complexidade deste assunto me levou, no ano de 2004, a pesquisar sobre o tema focando a pesquisa na utilização da “terapia do riso” e paralelamente a ação de ong&#8217;s e grupos que realizam estes trabalhos, com o objetivo de verificar se existe influência entre estas terapias auxiliares e melhora do quadro no tratamento do câncer infantil.</p>
<div id="attachment_100" class="wp-caption aligncenter" style="width: 247px"><a href="http://www.psicologaonline.com.br/wp-content/uploads/2008/12/imagem2.jpg"><img class="size-full wp-image-100" title="evolucao-riso" src="http://www.psicologaonline.com.br/wp-content/uploads/2008/12/imagem2.jpg" alt="Clique para ampliar!" width="237" height="97" /></a><p class="wp-caption-text">Clique para ampliar!</p></div>
<p>É importante observar o desenvolvimento da criança, que mesmo doente continua acontecendo e essa é uma das funções do psicólogo dentro da psico-oncologia, orientar os pais e profissionais da saúde, conscientizando que a criança possui um lado saudável e é este lado que deve ser explorado até mesmo para melhoria do quadro da doença.</p>
<p>O riso é uma manifestação fisiológica, que ativa nervos e músculos, causando efeitos sobre a circulação, respiração e outros sistemas, libera endorfina e serotonina, substâncias responsáveis pela sensação de bem estar e alívio da dor, aumenta a pressão arterial, a freqüência cardíaca, a quantidade de oxigênio captado pelos pulmões e facilita a saída do gás carbônico, e fortalece as defesas do corpo.</p>
<p><span id="more-70"></span></p>
<p>Freud explica em “Os chistes e sua relação com o inconsciente”, que o humor é uma eliminação da censura, um mecanismo de defesa presente nas pessoas que são mostradas por “transferência” de objetos ou situações. Assim, o humor consegue contornar um obstáculo e retirar uma forma de prazer que este mesmo obstáculo lhe privava, achando uma fonte de prazer no que foi inibido e reprimido.</p>
<p>Analisando contextos culturais, foi observado que o palhaço é o único arquétipo presente em todas as culturas do mundo e em todas as etapas de evolução da humanidade. Sem ter medo de ser ridículo, o palhaço é curioso e só descobre o significado das coisas somente depois de explorado, tornando-se divertido e inesperado. A sua capacidade de transformar fatos geradores de tensão em momentos engraçados, ajuda a lidar com a vulnerabilidade humana, a superar dificuldades, estimulando diferentes reações de comportamento.</p>
<p>Em 1986, um palhaço americano chamado Michael Christensen, sugeriu fazer uma visita às crianças de um hospital de Nova York que não puderam comparecer ao circo, assim começou um projeto chamado &#8216;Clown Care Unit&#8217;, que consistia num grupo de artistas especialmente treinados para levar alegria às unidades hospitalares.</p>
<div id="attachment_101" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://www.psicologaonline.com.br/wp-content/uploads/2008/12/tit_osdoutores.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-101" title="doutores-da-alegria" src="http://www.psicologaonline.com.br/wp-content/uploads/2008/12/tit_osdoutores-150x150.jpg" alt="Clique para ampliar!" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Clique para ampliar!</p></div>
<p>Em 1991, um integrante deste grupo (Wellington Nogueira) trouxe o projeto ao Brasil, fazendo com que a partir daí surgissem projetos similares como os Doutores da Alegria, Risomundi, Viva e Deixe Viver, Projeto Arco-Íris, Projeto Felicidade e muitos outros que têm como proposta realizar visitas semanais às crianças hospitalizadas com o objetivo de devolver às crianças a felicidade e o prazer de vida que raramente apresentam quando são hospitalizadas, fazendo com que liberem suas fantasias e criatividade.</p>
<p>No vídeo Globo Ciênica Saúde de 1995 a psicóloga e orientadora do grupo Doutores da Alegria, Morgana Masetti diz que após as visitas do grupo 57% dos pais das crianças internadas percebem uma mudança positiva no comportamento delas, tornando-se mais ativas e dispostas. Estes trabalhos tendem a colaborar com o processo de humanização hospitalar e acelerar o processo de recuperação física e psicológica da criança em tratamento.<br />
Apesar de ser comprovado que estes artistas e voluntários acabam tendo um papel fundamental na recuperação dos pacientes, é importante lembrar que a atuação destes grupos não tem objetivo terapêutico, mas sim uma interação artística entre o paciente, médico e doença.<br />
As terapias auxiliares realizadas dentro de hospitais são baseadas na expressão do que normalmente é inibido e reprimido, os trabalhos lúdicos realizados por psicólogos, permitem tratar de maneira mais fácil os assuntos e problemas que afetam as crianças e tudo em torno delas, possibilitando um melhor tratamento e dando mais força e coragem à criança, para que no caso de pacientes cancerosos, passem a enfrentar melhor a doença.</p>
<p><a title="ulapsi" href="http://www.ulapsi.org/cdrom/portugues/autor_4.php?uid=480&amp;tipo=PESQ&amp;codigo=202" target="_blank"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-102" title="ulapsi" src="http://www.psicologaonline.com.br/wp-content/uploads/2008/12/logo_pt-150x150.gif" alt="" width="150" height="150" /></a>Esta pesquisa rendeu uma bela apresentação de um painel no I Congresso Latino-Americano da Psicologia – ULAPSI, realizado em abril de 2005 no Memorial da América Latina. Confira a programação completa deste e de outros trabalhos clicando na imagem ao lado.</p>
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		<title>Psicologia e religião</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Nov 2008 01:43:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flávia Rezende</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos científicos]]></category>

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		<description><![CDATA[ O papel da religião na vida psíquica dos indivíduos. A palavra religião vem do latim religio, derivado de religare, “atar”, “ligar”, podendo ser interpretada como o laço que une o homem à divindade. Na maioria das sociedades, o papel da religião é explicar os conteúdos existenciais do ser humano, tentando obter respostas às perguntas que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_46" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://psicologaonline.com.br/wp-content/uploads/2008/11/religiao.gif"><img class="size-thumbnail wp-image-46" title="religiao" src="http://psicologaonline.com.br/wp-content/uploads/2008/11/religiao-150x150.gif" alt="clique para ampliar!" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">clique para ampliar!</p></div>
<p><em> O papel da religião na vida psíquica dos indivíduos</em>.</p>
<p>A palavra religião vem do latim <em>religio</em>, derivado de <em>religare</em>, “atar”, “ligar”, podendo ser interpretada como o laço que une o homem à divindade.<br />
Na maioria das sociedades, o papel da religião é explicar os conteúdos existenciais do ser humano, tentando obter respostas às perguntas que não possuem fundamento, como: de onde viemos, o que estamos fazendo aqui e para aonde vamos depois da morte.<br />
Psicanaliticamente falando, a religião é uma neurose obsessiva da humanidade, tal como a neurose obsessiva da criança, que surge a partir do complexo de Édipo (conceito fundamental da psicanálise), caracterizado por sentimentos ambivalentes de amor e hostilidade existentes no relacionamento entre pai e filho.<br />
Freud afirma que, a necessidade que civilizações possuem em controlar os instintos e impulsos dos seus indivíduos estabelecendo uma ordem moral, foi utilizada para difundir as religiões, pois aparentemente as leis divinas eram e continuam sendo muito mais sólidas e poderosas do que as leis humanas. Deste modo, passa-se a obedecer aos preceitos da sociedade devido o temor do castigo pela ordem divina.<br />
Sempre existiram muitos autores e pensadores que demonstraram suas visões sobre religiões, mas o estudo científico das religiões iniciou-se no século XIX.<br />
<span id="more-45"></span><br />
Analisando pelo lado do estudo científico, os argumentos apresentados por Freud possuem um teor crítico com relação à origem, desenvolvimento e manutenção das idéias religiosas, mas sempre apresentados de maneira objetiva e direta, enquanto Jung estuda a religião de maneira enigmática com certo toque de romantismo, admitindo a existência de um Deus interno, não materializado, que não significava a existência de um criador autônomo como a grande maioria das religiões alegam.</p>
<p>No aspecto filosófico, Osho, filósofo indiano que sempre se dedicou a questionar os dogmas políticos, sociais e religiosos da sociedade, adepto da meditação zen, afirmava que existe uma religiosidade sem necessariamente precisar existir a religião e o conceito de Deus, podendo haver espiritualidade apenas por uma filosofia moral, um estado de consciência livre, que não é condicionada pela mente, ou seja, não se acredita no que as crenças forçam a acreditar, mas sim o que sua consciência deseja crer.</p>
<div id="attachment_47" class="wp-caption alignright" style="width: 160px"><a href="http://psicologaonline.com.br/wp-content/uploads/2008/11/psico-e-religiao.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-47" title="psico-e-religiao" src="http://psicologaonline.com.br/wp-content/uploads/2008/11/psico-e-religiao-150x150.jpg" alt="clique para ampliar!" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">clique para ampliar!</p></div>
<p>Observando a pintura de Michelangelo na abóbada da capela Sistina, a figura denominada como ‘A criação de Adão’ impressiona pelo fato de demonstrar a onipotência divina manifestada na sua infinita grandeza que concebeu a criação do primeiro homem, dando sentido à construção do universo. A pintura, que pode ser nomeada como símbolo da ligação do Homem com o Divino, expressa o momento em que Deus, após ter criado a luz, a terra e tudo que nela existe, concedeu a vida a um ser dotado de inteligência e autoridade sobre todas as coisas existentes no mundo feito à sua imagem e semelhança.</p>
<p>O tema proporciona milhares de interpretações por ser um campo vasto de conhecimento, mas aqui completo o raciocínio da tríade das instituições sociais: a ciência, a filosofia e a arte, que são representações do universo e constituídas por neuroses.<br />
Conforme apontado por Freud, um caso de histeria pode ser o retrato de uma obra de arte, ou uma neurose obsessiva pode ser a representação de uma religião e até um delírio paranóico poderia ser a caricatura de um sistema filosófico. Mas, neste caso, apenas um caso de neurose – a religião – representado nas três formas de instituições sociais.<br />
No último ano de faculdade, dediquei-me a este estudo que gerou a compreensão da existência e desenvolvimento das idéias religiosas e sua conexão com a vida psíquica dos indivíduos, estudados a partir dos dois principais textos sociais de Freud: Totem e Tabu e O Futuro de Uma Ilusão.<br />
Com base no que foi estudado, pude concluir que a psicanálise não pode atribuir a uma única fonte a origem de algo tão complicado como a religião.<br />
Ficou claro que a humanidade sempre se sentiu desprotegida frente às forças sobrenaturais, tornando este desamparo tolerável a partir de criações de deuses, e posteriormente um Deus com poderes sobre-humanos capaz de minimizar todo este sofrimento.<br />
Mas, os fenômenos religiosos possuem uma propriedade psicanalítica que manifesta o desenvolvimento de neuroses em seus adeptos, chegando a transformá-la na própria neurose.<br />
Uma das problemáticas estudadas foi o fato das religiões, após tanta evolução cultural, tecnológica e científica, ainda exercerem um papel onipotente e essencial na vida psíquica dos indivíduos.<br />
Os crentes, na definição literal da palavra &#8211; aqueles que crêem, parecem se unir a uma religião por vínculos afetivos, de maneira que nunca iriam permitir que sua fé fosse desviada ou banida. Ainda, existem pessoas que não são crentes, mas obedecem aos preceitos da civilização por se sentirem intimidados pelas ameaças da religião e se vêem obrigados a segui-los por fazer parte de sua realidade.</p>
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