Arthur Bispo do Rosário – gênio ou louco?

Posted by on quinta-feira, abril 23, 2009, 14:38
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Arthur Bispo do Rosário (Sergipe, 1909 ou 1911 – Rio de Janeiro, RJ, 1989), foi um artista plástico brasileiro.
Considerado louco por alguns e gênio por outros, a sua figura insere-se no debate sobre o pensamento eugênico, o preconceito e os limites entre a insanidade e a arte, no Brasil. A sua história liga-se também à da Colônia Juliano Moreira, instituição criada no Rio de Janeiro, na primeira metade do século XX, destinada a abrigar aqueles classificados como anormais ou indesejáveis (negros, pobres, alcóolatras e desviantes das mais diversas espécies).

Biografia
Natural de Japaratuba-Sergipe, Arthur Bispo é descendente de escravos africanos, foi marinheiro na juventude, vindo a tornar-se empregado de uma tradicional família carioca.
Na noite 22 de Dezembro de 1938, despertou com alucinações que o conduziram ao patrão, o advogado Humberto Magalhães Leoni, a quem disse que iria se apresentar à Igreja da Candelária. Depois de peregrinar pela rua Primeiro de Março e por várias igrejas do então Distrito Federal, terminou subindo ao Mosteiro de São Bento, onde anunciou a um grupo de monges que era um enviado de Deus, encarregado de julgar aos vivos e aos mortos. Dois dias depois foi detido e fichado pela polícia como negro, sem documentos e indigente, e conduzido ao Hospício Pedro II (o hospício da Praia Vermelha), primeira instituição oficial desse tipo no país, inaugurada em 1852, onde anos antes havia sido internado o escritor Lima Barreto (1881-1922).
Um mês após a sua internação, foi transferido para a Colônia Juliano Moreira, localizada no subúrbio de Jacarepaguá, sob o diagnóstico de “esquizofrênico-paranóico”. Aqui recebeu o número de paciente 01662, e permaneceu por mais de 50 anos.

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Em determinado momento, Bispo do Rosário passou a produzir objetos com diversos tipos de materiais oriundos do lixo e da sucata que, após a sua descoberta, seriam classificados como arte vanguardista e comparados à obra de Marcel Duchamp. Entre os temas, destacam-se navios (tema recorrente devido à sua relação com a Marinha na juventude), estandartes, faixas de mísses e objetos domésticos. A sua obra mais conhecida é o Manto da Apresentação, que Bispo deveria vestir no dia do Juízo Final. Com eles, Bispo pretendia marcar a passagem de Deus na Terra.
Os objetos recolhidos dos restos da sociedade de consumo foram reutilizados como forma de registrar o cotidiano dos indivíduos, preparados com preocupações estéticas, onde se percebem características dos conceitos das vanguardas artísticas e das produções elaboradas a partir de 1960.
Utilizava a palavra como elemento pulsante. Ao recorrer a essa linguagem manipula signos e brinca com a construção de discursos, fragmenta a comunicação em códigos privados.
Inserido em um contexto excludente, Bispo driblava as instituições todo tempo. A instituição manicomial se recusando a receber tratamentos médicos e dela retirando subsídios para elaborar sua obra, e Museus, quando sendo marginalizado e excluído é consagrado como referência da Arte Contemporânea brasileira.
Fonte: www.wikipedia.com

Veja os vídeos de suas obras. Exemplo belíssimo de que a arte a loucura andam juntas e se complementam desde de modelos terapeuticos até todas as possíveis formas de expressão e libertação.

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1 Comentário para “Arthur Bispo do Rosário – gênio ou louco?”

  1. Zuleika N.Eugenio
    2011.02.28 18:41

    Tive o prazer de assistir neste domingo,27 de fevereiro de 2011 a uma reportagem que considero rica e deslumbrante para nossa cultura.
    Gostaria de parabenizar como simples mortal,sem valor nenhum de mídia,mas com sensibilidade suficiente para me comover em saber que entre nos viveu,um gênio disfarçado de louco provando com determinação no que fazia, a realidade de seus conceitos e credo numa colorida profusão de cores,que hoje nos faz parar ao vermos uma de suas obras.
    Parabéns à jornalista e aos repórteres desta significante matéria.
    Atenciosamente
    Zuleika Eugênio
    Artista Plástica

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