Uma análise psicológica do filme: Perfume – A história de um assassino

Posted by Flávia Rezende on sábado, dezembro 13, 2008, 22:55
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Perfume – A história de um assassino

O filme se passa no século XVIII, na França. Jean Baptiste Grenouille passou por grandes rejeições a começar por sua mãe, que o abandonou sob uma banca de peixes esperando que ali morresse como todos os outros cinco filhos que tivera. Mas por algum motivo sem explicação, em meio de tanta sujeira e condições precárias para um recém-nascido, contrariou todas as expectativas e sobreviveu à negligência de sua mãe e aos maus tratos de todos os outros durante o decorrer de sua infância.
Com um olfato apurado, a cada dia demonstrava grande obsessão por odores. Inicialmente não fazia distinção de bons e maus odores, mas quando se torna um homem, amadurecendo sua sexualidade e libido a fonte de seu prazer, de todos os olfatos anteriormente sem distinção, passou a ser o odor feminino.
O olfato era sua única via de reconhecimento e relacionamento com o mundo. Jean Baptiste dizia conhecer todos os odores do mundo, mas o que parecia chamar mais a atenção era o odor feminino. Tanto que, a partir desta obsessão, se transforma num assassino em série, tentando capturar o cheiro de mulheres, mas em vão, pois percebeu que aquele era um cheiro particular e não poderia ser encontrado em mais ninguém e nem retirado daquele corpo. Esta foi sua primeira grande frustração, pois percebeu que não podia reter sua fonte de prazer.
O jovem conhece um perfumista e consegue um trabalho mostrando seu talento e acaba fixado na idéia de capturar o cheiro de todas as coisas, com a intenção de capturar aquele cheiro que tanto lhe provocou prazer e frustração.
O grande insight psicológico do protagonista acontece, enquanto estava a caminho do lugar que lhe ensinaria novas técnicas para capturar essências, quando percebe que ele mesmo não possuía cheiro e assim não possuía identidade. Sendo que a busca pelos odores estava além de seu prazer, tornando-se uma busca para si próprio, para se tornar um ser pertencente ao mundo, já que seu método de inclusão era feito pelos odores.
Como a lembrança do prazer de ter sentido o cheiro de sua primeira vítima, sempre lhe vinha à memória, Jean Baptiste decidiu capturar o cheiro das mais belas e puras mulheres que encontrasse para reter suas essências e fazer o perfume perfeito.
O jovem consegue extrair toda a essência da pureza, beleza, sensualidade e inocência das garotas, vítimas de sua obsessão, unindo as notas perfeitas, criando um perfume que tinha de todas estas boas características de um modo concentrado, tornando esta essência capaz de manipular as pessoas. É notável que a inocência e a beleza feminina sempre foram apreciadas em todo o mundo e muitas vezes capazes de influenciar pessoas e por vezes até uma nação.
Jean Baptiste percebeu o poder que tinha em suas mãos, e quando estava para ser condenado pela morte de suas vítimas fez uso do perfume inebriante manipulando todos ao seu redor, fazendo com que o vissem como inocente, com uma pureza tão grande, sendo comparado até com um anjo. Ele utiliza o perfume para dar a ele mesmo essas características e neste momento aquele garoto que não possuía identidade e cheiro, estava ali com uma identidade invejável, tão boa que não poderia ser condenado.
Este perfume tinha uma magia tão incrível que quando espalhado entre as pessoas, fazia com elas tomassem para si as características do perfume, desencadeando uma paixão avassaladora e incontrolável entre os mesmos.
O jovem sabia de sua genialidade e do poder que havia criado, podendo controlar o mundo se quisesse, mas sabia também que aquele perfume nunca poderia lhe transformar em uma pessoa capaz de amar e ser amada como todas as outras, sendo essa descoberta a maior de todas as suas frustrações.
Assim, Jean Baptiste retorna ao local de sua infância, levado pelo cheiro de suas lembranças: um lugar mal-tratado, esquecido pela sociedade, onde as pessoas não tinham nenhum respeito por si e pelos outros. Acaba derramando o perfume todo sobre si e é devorado (literalmente) pelo amor daqueles que sempre o rejeitaram.
É possível compreender que sua real necessidade era capturar o amor que nunca teve, para que o tivesse no momento em que bem desejar. O próprio ator Ben Whishaw, que interpretou o jovem Jean Baptiste Grenouille, em seus comentários na sessão de “extras” diz achar que o personagem tem uma personalidade autista, devido ao seu isolamento social, alienação com o mundo e desconexão emocional com as outras pessoas. De fato o garoto demonstra ter grande dificuldade em relacionar-se, limitando toda a sua comunicação verbal e não-verbal para o olfato, com uma personalidade psicopata, perversa, cometendo atos criminosos, mesmo que realizados sem intenção.

Assista ao trailer do filme:

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8 Comentários para “Uma análise psicológica do filme: Perfume – A história de um assassino”

  1. Cristian
    2009.03.08 13:40

    Ola! Tambem assisti ao filme… Muito interessante… Incrivel como o meio ambiente influencia na vida de uma pessoa… Uma criança que não recebe os devidos cuidados pode num futuro se transformar num ser de qualquer tipo… Acredito que o meio ambiente influencia bem mais do que fatores geneticos na personalidade e caráter dos seres humanos… ABS!

  2. 2009.03.08 17:45

    Cristian, concordo com você. Quando se trata de desenvolvimento infantil, o ambiente acaba tendo muito mais influência na formação da criança do que imaginamos!
    Precisamos nos atentar a estas particularidades.
    Obrigada por sua visita e comentário!

  3. katiane
    2010.03.29 13:18

    Muito bom esse filme, ele mostra o conceito de “idenditade” e “alteridade”

  4. Claudia A.S.C
    2010.04.06 00:49

    Achei muito interessante e consegui comparar com alguns trechos da bíblia, não sou evangélica mas acredito em muitas passagens da bíblia que diz que quando o filho da besta vir ao mundo será comparado a um anjo e nebriará todos com seu amor e pureza que muitos atos levianos,pecaminosos se tornarão atos normais por seu poder de persuasão.

  5. leticia s.s
    2010.04.08 23:12

    Eu creio que Grenouille nasseu com um dom incrivel para o mundo dos perfumes, porem sua criação acabou o trasformando num solitario, como no livro onde ele passa varios anos em uma caverna vivendo de musgos, incetos e água que mina da pedra,e graças a isso ele se trnsformou num assasino :roll: :roll: :roll:

  6. Alice
    2010.06.17 04:10

    Vcs pararam pra pensar que a nota de perfume que o mestre do Grenouille fala em uma parte do filme, nota que não é identificada(não sei as falas do filme), é a pele humana??? cada perfume contém as notas originais, porém quem determina o cheiro é a pele humana… por isso que há perfumes que ficam bem pra uma pessoa e para outra não. Viver um tempo pensando, em uma caverna, com um contato bem próximo com o eu, fez indentificar aspectos de sua personalidade, até que ponto ele conseguiria chegar para alcançar seu objetivo. A cada momento que ficamos sozinhos, e nos dispomos a pensar, a refletir…entramos em contato com um eu desconhecido e que não é tão seguidor de convenções sociais… 8-O

  7. 2010.08.10 20:34

    De fato a última gota do perfume do Jean ventila ainda hoje em Paris. Filme de sucesso. Adorei.Quem não teria misericórdia de uma alma como Jean e ao mesmo tempo a prudência eclipsar-se de sua companhia. Excelente metáfora sobre a busca por si mesmo.

  8. Dili
    2010.08.21 12:06

    Estou fazendo uma pesquisa sobre perfumes e seus símbolos e achei este site. Interessante a sinopse do filme, a forma como o odor em um nível mais avançado pode causar estragos na perconalidade de um homem. Ainda não vi o filme, mas talvez o ambiente em que ele nasceu e seus odores tenham uma ligação, afinal, peixes não cheiram muito bem… 8-O
    Verei o filme, depois volto aqui para maiores comentários! :-D

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