Desde o antigo testamento são relatadas situações sobre padecimentos de infortunados e lamentações de homens e mulheres que perderam sua esperança no futuro. Hipócrates o pai da medicina (séc. IV ªc.) diferenciou quatro tipos de temperamento; um deles denominado melancólico, hoje é identificado como depressão.
Apesar do grande estigma que ainda acompanha a depressão, sabe-se hoje que é uma doença séria e incapacitante, que tem tratamento e cura na grande maioria dos casos. Na verdade, não é o índividuo incapaz que tem depressão, mas a depressão que incapacita o índividuo para o viver saudável e pleno.
A depressão pode ser definida como um distúrbio do humor, com duração maior do que duas semanas, causado pela deficiência de determinadas substâncias (serotonina, noradrenalina e dopamina) no cérebro. Pode afetar homens e mulheres em qualquer fase da vida, e sem um fator desencadeante grave. É mais freqüente em adultos jovens e em índividuos com antecedentes familiares de depressão, e com a tendência atual de envelhecimento populacional, passa a ser uma doença muito importante na terceira idade.
“A depressão é um dos três transtornos psicólogicos mais prevalentes, os outros dois são abuso de substância e ansiedade”. HOLMES , David. pg.163
A depressão começa com sentimentos comuns de tristeza, a qual pode ser, por si só, sua essência. É comum que a pessoa deprimida não tenha consciência de seus sentimentos, mas que identifique alguma coisa errada e perceba sensações físicas. Na síndrome leve, o deprimido se sente incapaz , coibido, infeliz e reage de forma pessimista, desqualificando a si mesmo. Suas atitudes tornam-se mais lentas e preocupa-se exageradamente com problemas pessoais, além disso, revela desanimo tédio ou falta e força para reagir, além de forte tendência a não – reação.Já na depressão mais profunda, existe uma tensão desagradável e constante acompanhada de dor mental, que compreende angústia, desespero, desgosto e profundos sentimentos de raiva e medo.
“A distinção entre depressão normal e anormal gira em torno da profundidade e duração da depressão”. HOLMES, David pg. 163.
O processo depressivo deve ser encarado em função de três aspectos essenciais; a intensidade, que pode ser leve, desaparecendo com rapidez, moderada ou grave que são mais prolongadas e consideradas mais sérias a ponto de exigirem auxílio terapêutico. A duração sendo classificadas como aguda, podendo surgir rapidamente, independentemente de causa e durar apenas uma semana desaparecendo espontaneamente; a recorrente que corresponde a uma crise aguda que reaparece a intervalos irregulares, intercalados por períodos normais denominados remissões ou crônicas a qual surge mais regularmente e permanece por um período de tempo indefinido. E, por fim a qualidade que pode ser retardada, quando as reações das pessoas se tornam lentas e agitada, quando as reações das pessoas se tornam lentas e agitadas e/ou quando apresentam um estado de excitação geral.
Os enfoques comportamentais para a avaliação da depressão centram-se normalmente nas características manifestas do transtorno, como o comportamento psicomotor e verbal.Considerando o interesse das teorias comportamentais da depressão nas contingências ambientais, os clínicos e os pesquisadores de orientação comportamental tratam de avaliar aspectos do ambiente e da interação pessoa – ambiente que podem estar relacionados com o ínicio ou com a manutenção da depressão. Deste modo, a avaliação comportamental pode incluir uma exploração de fatores tais como as habilidades sociais do índividuo deprimido, o comportamento daqueles com quem o paciente deprimido interage e as atividades reforçadoras para a pessoa deprimida.
A depressão é um problema tão freqüente em tantas culturas que foi denominada de “o resfriado comum dos transtornos emocionais”. A resposta depressiva pode constituir uma reação perante um estímulo estressante externo, ou ser uma característica do padrão de resposta de uma pessoa frente ao mundo. Poderia acontecer como episódio único ou ser parte de uma série recorrente de episódios, ocorrendo com diferentes níveis de gravidade. Entretanto, quando surge pode contribuir para problemas que vão desde a disfornia ou mal- estar, que deterioram o funcionamento de um indivíduo, até desejos e ações que têm como objetivo final a morte causada pelo próprio índividuo. Embora a depressão pareça ser uma resposta universal, constitui, entretanto, uma resposta que pode ter uma gravidade limitada., freqüência reduzida e impacto que não chegue a ameaçar a pessoa durante toda a vida.
Referência: HOLMES, David. Psicologia dos Transtornos Mentais. 2ª ed. Artes Médicas; São Paulo, 1997.