INSÔNIA

Posted by on domingo, agosto 9, 2009, 16:06
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O que a psicologia tem a dizer sobre este distúrbio do sono?

Popularmente, a insônia caracteriza-se por uma alteração na qualidade e/ou quantidade do sono. Os distúrbios do sono, em especial a insônia e a sonolência excessiva, são queixas comuns. Trata-se de uma questão de saúde pública que não recebe a merecida atenção. É um dos sintomas mais referidos em serviços de saúde. (REIMÃO, 1999).
Acometendo quase um quarto da população adulta, a dificuldade de iniciar ou manter o sono durante a noite inteira, ou mesmo a sensação de sono insuficiente, denomina-se insônia, uma manifestação ou sintoma de inúmeras doenças desde o indivíduo que se depara com dificuldades para adormecer devido à ingestão excessiva de café, até aquele que não dorme por depressão, ansiedade ou outras alterações. A conseqüência é uma sensação de cansaço, fadiga e indisposição pela manhã após uma noite mal dormida. (REIMÃO, 1992).
A insônia é provavelmente a queixa mais comum no mundo. Ela é quase tão difícil de definir e ser tratada quanto o frio. Luís XIV acreditava que o segredo para uma boa noite de sono era ter sempre a cama certa, por isso diz-se que ele teve quatrocentas e treze camas em Versalhes. Benjamim Franklim, de forma menos grandiosa, também fazia rodízio entre as quatro camas que tinha no quarto. (USHER, 1991).
Segundo Reimão (1999), fatores agravantes ou propiciadores da insônia subdividem-se, em físicos, psicológicos e sociodemográficos. A definição varia ao longo do tempo e entre diferentes autores, pois sua classificação acerca da terminologia se situa em função da operacionalidade clínica e duração, podendo ser Transitória (algumas noites); Insônia de curta duração (duração inferior a três semanas) e; Insônia crônica (mais de três semanas de duração). A transitória está vinculada ao ambiente, à fisiologia ou a emoção.
A definição atual para a insônia abrange o conceito de qualidade, não se restringindo somente à falta de sono, mas apresenta-se como sintoma patológico que fere o conceito de bem-estar no âmbito físico, social e psíquico do indivíduo. Sem que seja percebida a gravidade, a privação parcial do sono pode chegar a prolongar-se por anos, ainda que percebida a exaustão pelas poucas horas dormidas e uma sonolência observável seja detectada nos cochilos em horas monótonas. Essa privação acarreta sonolência e exaustão, irritabilidade, alterações da concentração, atenção e da memória. Em muitos casos, o indivíduo passa a utilizar alguns medicamentos para dormir, gerando outro problema, a dependência. Psicologicamente, a dependência faz com que ele mantenha o medicamento por muitos anos seguidos (ainda que este se torne ineficaz) como um apoio em relação a sua doença. A dependência física faz com que no momento em que o indivíduo abandone a medicação, a impossibilidade de dormir volte durante vários dias seguidos. Algumas tentativas sem sucesso de retirada da medicação, conduzem ao retorno da insônia, da irritabilidade e de nova tomada de medicação. (REIMÃO, 1992, grifo nosso).
De acordo com Reimão (1999), em estudos sobre avaliações epidemiológicas, têm-se os distúrbios do sono como riscos potenciais para o desenvolvimento de um transtorno psiquiátrico, ou podem até mesmo, ser a base para a sua manifestação inicial. Por ser a insônia um quadro gerador de diversos problemas, a avaliação dos aspectos psicológicos está inserida em uma maior avaliação do indivíduo e, para isso, é necessário avaliar-se a severidade da insônia, os hábitos de sono, os sentimentos em relação ao problema e toda emoção na qual está inserido o problema.
As pressões do dia-a-dia e a competitividade da sociedade moderna têm obrigado o homem a reduzir seu período de sono, roubado pela difusão da luz elétrica, pela industrialização, pelas longas jornadas de trabalho e exigências de atualizações profissionais constantes. Para muitos, o sono transformou-se em um luxo (que geralmente pode ser sacrificado pelo estilo de vida atual) ou em um transtorno que deve ser suportado. (www.sonolab.com.br).
Hoje, tem-se a idéia de que dormir é perder tempo, pois com as modificações sofridas com a invenção da eletricidade, clubes noturnos, TV com programação 24 horas, Internet, podemos interagir a noite toda com todo o mundo. É neste impasse de obrigações e necessidades que a sociedade ao impor e conviver com o caos de um ritmo acelerado de existência pena as conseqüências do seu cotidiano agitado, estabelecendo com seu sono que constitui uma parte importante na vida, uma relação de descaso, sem observar, porém, que ao estabelecer hábitos prejudiciais e má qualidade do sono, o indivíduo expõe a vida acadêmica e social ao comprometimento no desempenho geral.

REFERÊNCIA:
RIZZO, G.Brasil Campeão de Insônia. Disponível em . Acesso em: 23/jun/2006.
REIMÃO, R. Sono, sonho e seus distúrbios. São Paulo: Frôntis Editorial, 1999.
REIMÃO, R. O que você deve saber sobre Distúrbios do Sono. São Paulo: Saúde e Alegria, 1992.
USHER, R. Sono. Tradução de Elizabeth Larrabure Costa Correa. São Paulo: Saraiva, 1991.

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